Bem Vindo

Bem Vindo

O meu retrato

Cristina

hiperactiva de corpo, alma , espírito e raciocínio
professora de Matemática en retraite
Barata mas sem sangue de bARATA

de paixões diversas- os filhos, a dança, os animais e a ecologia

SUPER ROMÂNTICA

morena mas inteligente

Claro que os homens preferem as louras
mas casam com as morenas (foi o meu pai que disse)





segunda-feira, 9 de março de 2009

Quando eu partir vou em paz

Quando eu partir

Quando eu partir
parto sem penas,
parto sem medos,
nunca mais vou mentir
nunca mais vou ter vergonha,
nem ansiedade,
nem angústia.
Parto sem mágoa do que não vivi,
nem tristeza, nem horror.
Vou em paz, meu amor.

quarta-feira, 4 de março de 2009

educar

Educar
segundo Rubem Alves






Rubem Alves nasceu em 15 de Setembro de 1933, em Boa Esperança,
Minas Gerais. Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia, psicanalista e
professor emérito da Unicamp. Tem três filhos e cinco
netas.


Poeta, cronista do cotidiano, contador de histórias, um dos
mais admirados e respeitados intelectuais do Brasil.





Ama a
simplicidade


Ama a
ociosidade criativa


Ama a
vida, a beleza e a poesia


Ama as
coisas que dão alegria


Ama a
natureza e a reverência pela vida


Ama os
mistérios


Ama a
educação como fonte de esperança e transformação


Ama
todas as pessoas, mas tem um carinho muito especial pelos alunos e
professores.


Ama
Deus, mas tem sérios problemas com o que as pessoas pensam
e/ou dizem a Seu respeito


Ama as
crianças e os filósofos- ambos têm algo em comum:
fazer perguntas.


Ama,
ama, ama, ama





As
crianças não têm idéias religiosas, mas
têm experiências místicas.


Experiência
mística não é ver seres de um outro mundo. É
ver este mundo iluminado pela beleza.






Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O
educador diz: “Veja!”- e, ao falar aponta. O aluno olha
na direcção apontada e vê o que nunca viu. Seu
mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente. E, ficando mais
rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria-
que é a razão pela qual vivemos.


Já li muitos livros sobre psicologia da educação,
sociologia da educação, filosofia da educação-
mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de
qualquer referência à educação do olhar ou
à importância do olhar na educação, em
qualquer dele. A primeira tarefa da educação é
ensinar a ver. É através dos olhos que as crianças
tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo. Os olhos têm
de ser educados para que a nossa alegria aumente.



A educação se divide em duas partes: educação
das habilidades e educação das sensibilidades. Sem a
educação das sensibilidades, todas as habilidades são
tolas e sem sentido.



Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos
dá razões para viver.



Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos
encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para
os gregos era o início do pensamento: a capacidade de se
assombrar diante do banal. Para as crianças tudo é
espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo
dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião
na terra. Coisas que os eruditos não vêem.



Na escola eu aprendi complicadas classificações
botânicas, taxonomias, nomes latinos- mas esqueci. Mas nenhum
professor jamais chamou a minha atenção para a beleza
de uma árvore ou para o curioso das simetrias das folhas.
Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em
fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para
a qual elas apontam. As palavras só têm sentido se nos
ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os
olhos.



Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.
O ato de ver não é coisa natural. Precisa de ser
aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do
corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.



São as crianças que, sem falar, nos ensinam razões
para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No
entanto, elas sabem o essencial da vida.



Quem não muda sua maneira adulta de sentir e não
se torna como criança jamais será sábio.


Rubem Alves