Homenagem à minha cidade e àquele que a cantou melhor que ninguém
Carlos do Carmo (1939- 2021) foi um artista que se dedicou ao fado e à sua renovação criando o que se chama fado-canção. Com uma carreira de mais de 50 anos conseguiu sucessos musicais que se tornaram símbolos da música portuguesa. A qualidade das letras das suas canções contribuiu muito para se tornar um dos cantores mais aclamados do panorama musical português. Soube associar-se com letristas, muitos deles poetas, e também com músicos da velha e da nova guarda. Cantou de forma única a sua cidade, aquela que "é bordada a ponto-luz" e "almofada da cama do rio Tejo".
Em 2014 Carlos do Carmo recebeu o Grammy Latino de excelência musical. Como homenagem ao cantor a Rádio Comercial juntou as vozes de 35 artistas que cantam “Lisboa Menina e Moça” com letra de José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e Fernando Tordo com música de Paulo de Carvalho.
Lisboa menina e moça
No Castelo ponho um cotovelo
Em Alfama descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
Almofada da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia dum beijo
Lisboa menina e moça... menina
Da luz que os meus olhos vêem... tão pura
Teus seios são as colinas... varina
Pregão que me traz à porta... ternura
Cidade a ponto-luz... bordada
Toalha à beira-mar... estendida
Lisboa menina e moça... amada
Cidade mulher da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
Ponho um fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Da luz que os meus olhos vêem... tão pura
Teus seios são as colinas... varina
Pregão que me traz à porta... ternura
Cidade a ponto-luz... bordada
Toalha à beira-mar... estendida
Lisboa menina e moça... amada
Cidade mulher da minha vida
Cidade por minhas mãos... despida
Lisboa menina e moça... amada
Cidade mulher da minha vida
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